TRANSFERÊNCIA E CONTRATRANSFERÊNCIA NO PROCESSO ENSINO-APRENDIZAGEM NAS SÉRIES INICIAIS.1

TRANSFERÊNCIA E CONTRATRANSFERÊNCIA NO PROCESSO

ENSINO-APRENDIZAGEM NAS SÉRIES INICIAIS.1

1 Trabalho de conclusão do curso de pós-graduação lato sensu à distância em Psicopedagogia do Portal Educação em parceria com a Universidade Católica Dom Bosco. Brasília, 2013.

2 Graduada em Enfermagem pela Universidade Federal de Goiás. Formação em Psicanálise Clínica (SPOB). Especialista em Psicanálise Contemporânea e Didata (SPOB). Membro da Associação Brasileira de estudos e Pesquisa em Psicanálise ( Abepp). Mestre em Psicologia pela Universidade Católica de Brasília. Pós-graduanda em Psicopedagogia pela UCDB/Portal Educação (lato sensu). E-mail: mgr95@bol.com.br

3 Graduada em Pedagogia (FUCMAT/MT). Pós- graduada em Psicopedagogia (UCDB). Especialista em Educação Especial. Professora e coordenadora dos cursos de Psicopedagogia e Educação Especial (UCDB). Mestranda em educação (UCDB). Orientadora do Trabalho de Conclusão do Curso de pós-graduação lato sensu da UCDB/Portal Educação. E-mail: taniafiliu@yahoo.com.br.

Maria das Graças dos Reis2

Tânia Maria Filiú de Souza3

RESUMO

Este artigo teve como tema a transferência e a contratransferência no processo-ensino aprendizagem. Visou analisar o fenômeno transferencial e investigar se os professores das séries iniciais reconhecem e compreendem esse fenômeno, em suas práticas educativas. E também, aspectos do desenvolvimento emocional da criança e suas necessidades biopsicoafetivas. Para obtenção dos resultados adotou-se a pesquisa bibliográfica, que possibilitou conhecer diferentes contribuições sobre o tema. Como método, utilizou-se a abordagem qualitativa. A revisão bibliográfica voltou-se para as áreas da Psicanálise e da Educação/Psicopedagogia, conforme as obras listadas nas referências. Os conceitos de transferência e contratransferência, oriundos da psicanálise, foram baseados nas obras de Freud. A respeito de teóricos da psicopedagogia, destacam-se, entre outros autores, Maria Cristina Kupfer e Nádia Bossa. As fontes pesquisadas proporcionaram resposta precisa à indagação básica deste trabalho. Concluindo que, para atender a demanda dos alunos das séries iniciais precisa ocorrer melhora na formação e qualificação dos professores.

PALAVRAS- CHAVE: 1.Educação. 2.Transferência. 3.Contratransferência. 4.Alunos das séries iniciais.

ABSTRACT

This article had as theme the transference and countertransference in the teaching-learning process. Aimed to analyse the transferencial phenomenom and investigate if the teachers from the inicial series recognize and understand this phenomenom in their educational practices. Also, aspects of emotional development of the children and their biopshycoaffective needs. Bibliographic search was adopted to achievement of results, which allowed to know different contribuitions about the theme. As a method, a qualitative approach was used. The bibliographic review turned to the Pschoanalysis and Education/ Educational Psychology areas, according to the works listed in the references. The concepts of 2

transference and countertransference, derived of psychoanalysis, were based on the works of Freud. Regarding educational psychology theorists, stand out, among others, Maria Cristina Kupfer and Nádia Bossa. The sources surveyed provided precise answer to the basic inquiry of this work. Concluding that, to attend the demand of students from inicial series, needs to occur an improvement in the formation and qualification of the teachers.

KEYWORDS: 1.Education. 2.Transference. 3. Countertransference. 4. Students from inicial series.

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INTRODUÇÃO

Neste estudo, os conceitos transferência e a contratransferência foram desenvolvidos a partir da psicanálise. Na teoria psicanalítica, esses termos, referem-se ao deslocamento de sentidos e representações, caracterizam manifestações inconscientes, provenientes da relação da criança com seus pais, que são revividos em outro contexto. Como por exemplo, na relação professor-aluno.

Na educação/psicopedagogia, a transferência e a contratransferência são consideradas fenômenos presentes no processo ensino-aprendizagem. Esses fenômenos, mesmo quando não são reconhecidos e compreendidos por quem ensina, ainda assim, se fazem presentes na relação professor-aluno.

Professores que desconhecem a influência dos fenômenos transferenciais em sua prática educativa estão sujeitos a desenvolver ações pedagógicas pouco eficazes, por não considerar questões subjetivas e os desejos dos educandos. Muitas vezes impondo seus próprios desejos a esses.

Outro aspecto analisado nesse trabalho diz respeito à inserção das crianças na vida escolar(creches, escolas maternais, pré-escola) cada vez mais cedo, deixam o ambiente familiar precocemente. Assim, a responsabilidade da escola, e em especial do professor, fica em evidência. A família transfere para a escola/professores as suas responsabilidades, por meio de cobranças fundamentadas em um projeto civilizador.

O nosso interesse a respeito do tema originou-se da convivência com professores que trabalham com a educação infantil. Alguns professores relataram situações dificultosas enfrentadas no cotidiano da escola. Afirmaram sentirem-se despreparados para lidarem com 3

as demandas da criança e da família. Situação que foi reforçada pelos “Fóruns de Discussão4” que realizamos durante o curso de especialização em Psicopedagogia. É importante ressaltar que em todos os fóruns, independente do assunto, muitos dos participantes tinham o foco nas dificuldades vivenciadas por eles, como professores que são, expressaram o prazer/desprazer e as dificuldades de ser professor.

4 Debates temáticos realizados durante o curso de especialização em psicopedagogia, com a participação de graduandos de varias regiões do Brasil.

Em face à realidade exposta pelos professores, fomos motivados a buscar na transferência e na contratransferência uma explicação, entre muitas outras, para as dificuldades escolares.

Analisar os fenômenos transferenciais no processo ensino-aprendizagem possibilitou conhecer e compreender mecanismos que interferem na aprendizagem da criança no ambiente escolar. Este trabalho buscou investigar se os professores das séries iniciais reconhecem e compreendem os fenômenos transferências em suas práticas educativas, identificando suas características e manifestações. Para tanto, considerou a criança como um ser em desenvolvimento que tem características e necessidades peculiares diferentemente dos adultos. Essa é um ser em formação que está sujeito a influências do meio em que se insere.

Por meio da interlocução entre Psicanálise e a Educação/Psicopedagogia, buscou-se fazer um recorte para tratar da relação professor-aluno das séries iniciais de escolarização, procurando compreender a natureza dessa relação.

A psicanálise surge como um conhecimento que corrobora a compreensão do desenvolvimento da criança e sua forma de aprender. Sendo que, a sua contribuição para Educação/Psicopedagogia se dá no campo da ética, provocando mudança de postura naqueles que são afetados por ela. Além disso, a psicopedagogia procura explicar o desenvolvimento, a aprendizagem da criança, no ambiente escolar, e fora dele, ao considerar a família e o meio social como fatores que interferem no processo ensino-aprendizagem.

Buscando atender o problema da pesquisa realizou-se pesquisa bibliográfica, pois ela oferece meios que auxiliam na definição e resolução de problemas já conhecidos, como também permite explorar novas áreas. Portanto, a presente pesquisa possui caráter exploratório com abordagem qualitativa. A abordagem qualitativa considera a subjetividade dos sujeitos, busca descrever significados que são socialmente construídos. No caso, a relação 4

professor-aluno das séries iniciais. Assim, por meio de um raciocínio dedutivo, o qual possibilita partir de uma situação geral para uma particular, foi possível chegar à indagação básica, e ainda permitiu que o tema fosse analisado sob novo enfoque ou abordagem, produzindo novas conclusões.

1 A TRANSFERÊNCIA E CONTRATRNSFERÊNCIA NO PROCESSO ENSINO- APRENDIZAGEM

A psicopedagogia constitui-se como uma área de conhecimento que se preocupa com o processo ensino e a aprendizagem. É uma área de estudo interdisciplinar que possibilita abordar o sujeito e sua modalidade de aprendizagem, no contexto vivencial. (BROSTOLIN, 2012). Entre as contribuições teóricas que possibilitam abordar a relação professor-aluno, a psicanálise se destaca. Os conceitos de transferência e contratransferência foram desenvolvidos a partir desta área de conhecimento, com (re)leitura destes conceitos pela psicopedagogia/educação.

Freud (1893-18955), no percurso da construção teórica da psicanálise foi percebendo e significando a relação transferencial. Laplanche e Pontalis (1998, p. 514) conceituaram a transferência, conforme concebida por Freud, da seguinte maneira:

5 O conceito de transferência resulta de um longo processo de construção teórica, que foi sendo aperfeiçoado. Aparece pela primeira vez em Estudos sobre a Histeria ( 1893 – 1895), reaparece em muitos outros textos, permeia toda obra de Freud.

6 Expressão usada na psicanálise contemporânea para designar o modo de relação do sujeito com seu mundo. LAPLANCHE, J. e PONTALIS, J.B. Vocabulário de Psicanálise. Tradução, Pedro Tamen. 3 ed. São Paulo:

Martins Fontes, 1998. P. 443.

(...) transferência designa em psicanálise o processo pelo qual,

os desejos inconscientes se atualizam sobre determinados

objetos no quadro de certo tipo de relação estabelecida com

eles e, eminentemente, no quadro da relação analítica. Trata-

se aqui de uma repetição de protótipos infantis vivida com

uma atualidade acentuada.

Para a psicanálise, a transferência reveste de fundamental importância, está presente em todas as relações objetais6. Contudo o termo “transferência” faz parte da linguagem comum, possui vários significados como: deslocamento, mudar de lugar, transportar, dentre outros. Freud e Sandor-Ferenczi introduziram este termo na psicanálise, entre 1900 e 1909 dando-lhe um significado especial, relativo a deslocamento de sentimentos. Caracteriza 5

manifestações inconscientes de situações vividas na infância que são revividas em outro contexto, como se pertencessem à realidade atual, ao momento presente. São sentimentos provenientes da relação primordial do indivíduo com seus pais, na primeira infância (até os seis anos), formando o modelo, a forma como um sujeito relacionar-se-á com outro, e determinará suas escolhas futuras (LEITE, 2011).

De acordo com Kupfer (2000), inicialmente, o conceito transferência, na psicanálise, referia-se ao setting analítico7, posteriormente, Freud detectou o fenômeno transferencial em relações pessoais cotidianas, reconheceu a possibilidade de que a transferência acontecia também na relação professor-aluno. Ele observou que o fenômeno transferencial ocorre de forma inconsciente, o professor precisa despir-se de seus desejos para revestir-se com o desejo inconsciente do educando, de modo que, a transferência ocorre quando o desejo de saber do aluno encontra algum aspecto particular do professor, destituindo-o de seu sentido original, dando-lhe outro, relacionado ao seu desejo. Assim o professor se torna depositário de conteúdos provenientes do aluno, este lhe atribui poder de influência, capaz de levá-lo a querer aprender o que o professor tem a ensinar. O professor precisa se libertar de seus desejos e também de preconceitos para então poder ensinar o que o aluno deseja aprender.

7 Enquadre dentro do qual se desenvolve o processo analítico.

Outros psicanalistas pós Freud, investigaram a transferência, entre eles Jacques Lacan (1992), que sem abandonar o pensamento de Freud, a conceituou-a como um laço afetivo intenso que se estabelece de forma automática entre os sujeitos. Lacan afirma que “(...) a transferência imita o amor, chegando a se confundir com ele” (p. 45). Lacan introduziu também, o conceito de sujeito-suposto-saber, conferido ao psicanalista no processo de análise. O paciente supõe que o analista tem o saber para curá-lo. É sobre esta suposição que a analise se estabelece.

Santos (2009) diz que a função de sujeito-suposto-saber não é exclusividade do processo analítico. Na escola, por exemplo, pode ser conferida ao professor ou a qualquer outra pessoa que detenha autoridade, e haverá transferência onde houver suposição de saber.

A contratransferência foi descrita por Freud, um pouco mais tarde, no texto “As Perspectivas Futuras da Terapêutica Psicanalítica” (1910). Freud afirma que a transferência é vivida pelo paciente ao mesmo tempo em que a contratransferência é experimentada pelo analista. Ele define a contratransferência como sendo a influência do paciente sobre os sentimentos inconscientes do analista, o qual deveria reconhecê-la e dominá-la. 6

Conforme Santos (2009), se “acreditamos haver na educação, a ocorrência da transferência, a exemplo do que acontece na analise, logo somos levados a acreditar também na ocorrência da contratransferência” (p.25). Deduz que o professor, diante da reação transferêncial de seu educando pode ser tomado por reações inconscientes que escapam ao seu controle. Freud recomendava que também os professores se submetessem á analise, para assim como o analista, o educador pudesse livra-se de conflitos oriundos das relações primordiais com seus pais.

Ainda de acordo com Santos (2009), o professor ao contrário do analista, não se encontra preparado para lidar com as manifestações transferênciais, ou até desconhece a ocorrência desse fenômeno na ação pedagógica. Na prática educativa não existe o princípio da neutralidade, o professor se faz presente com seus sentimentos, seus julgamentos, suas convicções, como a criança que foi um dia, interferindo na relação transferêncial com seu educando.

Outro aspecto a considerar, diz respeito à aquisição do conhecimento que depende da relação do aluno com seu professor. Segundo Almeida (1993), a aprendizagem ocorre via discurso do outro, sendo que esse outro não é qualquer um, é aquele a quem o aluno reveste de uma importância especial. O educando endereça ao professor interesses e desejos, ao mesmo tempo em que este confere poder e autoridade àquele para ensinar aquilo que quer aprender. Cedendo ao desejo de poder e abusando de sua autoridade, o professor impõe ao aluno seus valores, suas ideias, estagnando nesse o desejo de aprender, conhecer, impondo também sobre esse o seu próprio desejo.

Não se trata de o professor renunciar ao seu desejo de ensinar, trata-se de respeitar o saber do aluno e esforçar para compreendê-lo, respeitando o seus saber e a sua realidade. Talvez nisto resida o obstáculo sentido por alguns professores, em relação à dificuldade que sentem em aliar o conteúdo a ser ensinado, com a realidade do educando.

O professor desenvolve expectativas contratransferênciais, em relação aos seus alunos, ao não renunciar o poder que lhe foi depositado. Segundo Kupfer (2000), o professor na relação com seus alunos tende a fazer uso do lugar e do poder que lhe é endereçado, impondo-lhes o seu próprio desejo, acreditando saber o que é melhor.

Ainda de acordo com Kupfer (2000), ao estabelecer a contratransferência na relação professor-aluno, esse último pode perder o interesse pelo o que o professor vem a ensinar. Nessa situação, a função do professor passa a ser cumprir uma tarefa, repassar o programa curricular. O aluno poderá aprender conteúdos, gravar informações seguir fielmente a 7

proposta do professor, mas não se tornará, por meio dessa relação, um sujeito pensante, não desenvolverá a autonomia e a autoria, ficará aprisionado no desejo do professor. Isto pode ocorrer sem que o professor perceba, pois tal como o educando, o professor também é marcado pelo desejo inconsciente.

Considera-se ainda que, o inconsciente é da ordem do imprevisível, do não sabido, inviabilizado a criação, segundo Kupfer (2000), de uma metodologia pedagógico-psicanalítica, decorrente de a metodologia exigir previsibilidade. Porém, ao traçar o plano de ensino deve-se levar em conta a subjetividade do educando, diminuir a preocupação em relação a métodos de ensino, abandonar técnicas de adestramento, recompensas e premiações.

Conforme Santos (2009) levar em conta o desejo do aluno não significa deixá-lo livre, ser permissível. Muitas coisas são impostas às crianças com objetivo de levá-las a dominar seus instintos, possibilitando as adaptarem ao meio social. A criança, principalmente as crianças das séries iniciais, precisam de orientação de restrição. E na educação, o professor só pode manejar o proibido e o permitido se estiver investido de autoridade e poder pela transferência.

De forma que, o trabalho do professor sem o conhecimento da dinâmica transferencial pode trazer varias implicações, para ele e para o educando. A falta deste conhecimento pode aparecer em forma de baixo rendimento escolar, fracasso, desmotivação por parte do aluno. O professor poderá sentir-se incapaz de lidar com as demandas do aluno, sentir-se desestimulado, descontente com sua prática, perder o desejo de ensinar e aprender, ou mesmo adoecer em sinal da recusa de ser professor.

Do ponto de vista da psicopedagogia fica registrado a necessidade dos professores conhecerem e compreenderem a importância do fenômeno transferencial, na prática educativa. De acordo com Bossa (2011), este conhecimento poderá auxiliá-lo a perceber com mais acerto e serenidade as reações dos alunos e seus próprios conflitos, possibilitando-o sair de uma posição autoritária e adotar uma postura que facilite o processo de desenvolvimento afetivo-intelectual do educando. A complexidade envolvida no processo ensino-aprendizagem requer do profissional muito mais do que o manejo de técnicas pedagógicas. Nesse sentido, a formação do professor é um aspecto que a psicopedagogia vem investigado com grande interesse.

1.1 FENÔMENOS QUE DIFICULTAM A INSTALAÇÃO DA TRANSFERÊNCIA

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Buscando reconhecer e compreender características da transferência, encontrou-se no material consultado formas de apontá-las, e, também, fenômenos que dificultam a instalação da mesma. É importante ressaltar que a transferência aparece de várias formas, mas sempre referindo-se à repetição de comportamentos, situações, emoções, trazendo a fantasia inconsciente oriunda da relação do sujeito com as figuras parentais. Conforme Laplanche e Pontalis (1998), a transferência revela entre tantas coisas a realidade psíquica do sujeito, o que se transferi são os sentidos, as representações.

A transferência se faz presente em todas as relações estabelecidas pelas pessoas, sejam essas emoções amorosas ou de outra ordem (SANTOS, 2009). Por exemplo: na relação entre duas pessoas adultas pode surgir o sentimento de fragilidade, de incapacidade frente ao outro, sem que haja um motivo aparente que justifique tal sentimento. Nesse caso, houve deslocamento de sentimentos de uma situação do passado para o momento presente, o sujeito não relembra nada do que esqueceu-se e reprimiu, mas o expressa-se pela atuação8. Na escola, há situações que a criança comporta-se com o professor como se estivesse diante do pai ou da mãe, faz birra, má-criação. Mesmo sem saber da importância de seu ato, muitas vezes o professor intervém, chamando a atenção da criança para a realidade. Nesse sentido, é comum a enunciação do seguinte discurso por parte do professor: “você não esta na sua casa, eu não sou sua mãe/pai”.

8 Ato por meio do qual o sujeito, sob domínio de seus desejos e fantasias inconscientes, vive esses desejos e fantasias no presente com um sentimento de atualidade. LAPLANCHE, J. e PONTALIS, J.B. Vocabulário de Psicanálise. Tradução, Pedro Tamen. 3 ed. São Paulo: Martins Fontes:1998. p. 44.

Segundo Laplanche e Pontalis (1998), na concepção de Freud, a transferência na aprendizagem pode ser considerada de duas formas, transferência positiva, em que aparecem sentimentos ternos e transferência negativa, marcada pela presença de sentimentos hostis. Nessa Perspectiva, Santos (2009) diz que quando alguns educandos colaboram e acatam a determinação do professor, pode-se dizer que houve transferência positiva, situação que pode ser constatada na atitude de aceitação, amor e respeito ao professor. Por outro lado, quando educandos opõem-se ao professor ou o temem, ocorre transferência negativa, a qual levo o educando a odiar e desrespeita o professor.

Conforme Almeida (1993), se o professor for capaz de identificar e manejar a transferência evitará que o amor ao saber seja confundido com o amor à pessoa do professor, e que características da pessoa do professor, desaforáveis ao amor, criem aversão ao saber. 9

Outra situação a ser considerada refere-se à dificuldade ou à impossibilidade de estabelecer o campo transferencial na relação professor-aluno. Santos (2009) relata que esta dificuldade é proveniente da manifestação de dois fenômenos antagônicos: o amor demasiado e a recusa. Esses dois fenômenos podem ser criados pelo aluno e dirigidos ao professor ou vice-versa. O amor demasiado faz com que o sujeito crie dependência afetiva do outro. O amor demasiado ao professor não se estabelece a partir do amor ao saber, trata-se de uma dependência da criança que é reeditada com o professor. Quando o aluno tem essa atitude em relação ao professor, esse aparece na fala do professor como carente de afeto. O amor demasiado do professor, pelo educando, faz com que o professor deseje assumir uma relação de pai e filho, o que vai além da relação educativa.

Ainda segundo Santos (2009), a recusa por parte do educando aparece como atitude de oposição, manifesta como rejeição a tudo o que é proposto pelo professor. Então, o aluno age com indisciplina e descaso, desrespeitando o professor. Esse, por sua vez, cria aversão àquele, repelindo-o. A ocorrência desses fenômenos impedem a instalação da transferência e, consequentemente, a transmissão do saber, causando prejuízo ao processo de ensino-aprendizagem.

Conforme já exposto, a transferência e a contratransferência permeiam a relação professor aluno, tornando-se fundamental para o processo ensino-aprendizagem. Professores psicanaliticamente orientados têm maior chance de evitar situações que dificultam o processo ensino-aprendizagem, principalmente nos primeiros anos de escolarização, quando a criança insere-se no mundo escolar, e dele capta suas primeiras impressões.

De acordo com Almeida (1993), a pedagogia tradicional acompanhada de algumas teorias psicológicas, tem considerado a aprendizagem como um processo exclusivamente consciente e produto da inteligência, negando a influência de processos afetivos e inconscientes no ato de ensinar e aprender. De forma que, muitas das dificuldades vividas por alunos e professores decorrem da falta de conhecimento dos professores, no que diz respeito à posição que esses se colocam frente a mudanças, inovações, novas formas de ver e abordar antigos problemas. Neste aspecto, o termo “transferência”, tal qual empregado na psicanálise, muito contribui para a compreensão da dinâmica ensino-aprendizagem, explicando entraves e mostrando outras maneiras de olhar a relação professor-aluno.

E também, segundo Hohendorff (1995), o professor que domina o conteúdo de sua disciplina, pode ensinar seus alunos, mesmo não tendo conhecimento do campo transferencial. Porém, o desconhecimento da transferência prejudica sua ação pedagógica, levando-o a desenvolver uma prática contraditória, ora se coloca diante dos alunos, como 10

professor que tem algo a ensinar, ora reage inconscientemente ao lugar transferencial em que o educando lhe coloca. Reforça que é imprescindível para um bom desenvolvimento pedagógico, conhecer e reconhecer a transferência na prática educativa. E ainda, uma atitude contratransferencial do professor, não sendo detectada e trabalhada por ele, poderá repercutir negativamente na aprendizagem do educando.

Em se tratando dos alunos das séries iniciais, que ainda não têm capacidade para discernir atitudes do professor como: desatenção, mostrar preferência por determinado aluno, poderá levar a inibição e paralisação do desejo de aprender em seus educandos, que poderão interpretar a atitude do professor como rejeição, reativando situações vividas na relação primordial.

Conforme Bossa (2011), inicialmente os problemas de aprendizagem foram tratados por médicos, sendo por muito tempo, considerados como decorrentes de problemas orgânicos. Mais adiante, os problemas de aprendizagem passaram a ser concebidos como problemas relacionados ao ensino. Nesse cenário a psicopedagogia surge com o compromisso de contribuir com o processo de aprendizagem, promovendo a identificação dos fatores que facilitam e daqueles que dificultam e inviabilizam o processo. Ainda segundo a autora, no início da intervenção da psicopedagogia, o foco era a reeducação, visava o tratamento de problemas de aprendizagem já instalados. Atualmente, o foco é a prevenção, no sentido de evitar a instalação de problemas de aprendizagem, busca compreender aspectos que envolvem o sujeito, a família, a escola, e o professor, como causas da dificuldade escolar.

2 A CRIANÇA E A CONSTRUÇÃO DE LAÇOS SOCIAIS

Até meados do século XX, a educação e o processo de socialização das crianças ocorriam no seio familiar. As transformações sociais, como a entrada da mulher no mercado de trabalho, provocou a disseminação de creches e de escolas maternais. A socialização da criança foi deslocada da família para a escola. (BIRMAN9, apud OLIVEIRA, 2012, p. 61).

9 BIRMAN, J. Adolescência sem fim? Peripécias do sujeito num mundo pós-edipiano: destino da adolescência. Rio de Janeiro: 7 Letras, 2008.

Atualmente as crianças saem de casa para as instituições de ensino bem antes dos sete anos, época em que considera que a criança esta apta a aprender o que a escola tem a ensinar, (BOSSA, 2011). E também, a criança passa maior tempo na instituição, longe da presença dos 11

pais, de modo que, grande parte da aprendizagem que acontecia no ambiente familiar, ocorre dentro da instituição escolar, na relação com o professor e com o ambiente escolar. É importante acrescentar que nessa circunstância, recai sobre o professor enorme responsabilidade, não somente a de socializar, mas também a de formar cidadãos saudáveis e de sucesso. Dessa forma, faz-se necessário novos conhecimentos, introdução de disciplinas na grade de formação dos professores que venham atender a atual demanda.

Para o professor que trabalho com alunos das series iniciais, é importante conhecer a respeito do desenvolvimento da criança, suas necessidades de cuidados, atenção/amor, de modo a contribuir não só para a aprendizagem, mas também, para o desenvolvimento de outras habilidades. Para tanto, os conhecimentos da didática e metodologias se tornam insuficientes. A psicanálise comparece como um conhecimento que muito pode ajudar nesse saber lidar com a criança, de forma a auxiliar favoravelmente o seu desenvolvimento psíquico, e vincular e social. Pedri (2003) afirma que diante do educando, que é um sujeito em constituição, o professor precisa renunciar seu próprio desejo, evitar realizar seu ideal por meio da criança que deve educar.

Ana Freud (1973/193510) diz que a psicanálise possibilita o conhecimento a respeito do desenvolvimento psíquico da criança e sua evolução. As primeiras experiências da criança, a forma como os conflitos foram resolvidos, acompanha-a por toda a vida. Assim, da relação carinhosa com a mãe residem as possibilidades para um desenvolvimento físico e psíquico harmonioso.

10 Obra original: FREUD, ANA. Psychoanalyse für Pädagogen – Eine Einführung Copyright by Verlag Hans Huber Bern, 1935.

Ainda segundo Ana Freud (1973), inicialmente, para a criança, ela e a mãe formam uma unidade, porém, o mundo exterior vem a perturbar a relação da criança com a mãe, esta percebe que a mãe não lhe pertence exclusivamente e passa a considerar os irmãos e o pai como seus inimigos, tem ciúmes destes, deseja a ausência deles. Com o pai, a criança experimenta a ambivalência, odeia-o por lhe roubar a mãe, ao mesmo tempo em que o ama e conta com sua ajuda, crê na sua onipotência. Deste modo, “(...) a tarefa da educação da criança consistiria em reprimir os maus desejos que se dirigem contra o pai e os irmãos, e impedir a concretização dos apetites que se dirigem à mãe” (p.26).

Ana Freud (1973) afirma também, que as crianças levam para a escola os conflitos do desenvolvimento inicial, que não foram resolvidos na relação familiar. Muitas vezes, são crianças rebeldes, associáveis, insatisfeitas, que colocam os colegas da escola no lugar dos 12

irmãos e os professores no lugar dos pais. Nesta situação pode-se observar novas expressões de conflitos antigos.

O ambiente escolar, assim como os professores das séries iniciais requer preparo e qualificação, considerando que estas crianças além dos aspectos psíquicos têm um grau de dependência física considerável, muitas ainda precisa de orientação e supervisão em relação a cuidados de higiene, alimentação e proteção/segurança. E também, o professor faz a inserção da criança no mundo da escola, onde existem regras, disciplina. O professor é único para um grupo de crianças, enquanto em casa, muitas vezes, existem varias pessoas adultas para atender uma só criança.

Klein (1996) fala que a criança ao entrar na escola depara-se com novas atividades, novas relações e, essa nova realidade pode ser muito dura para a criança. Nessa hora, o papel, a postura do professor das séries iniciais tornam-se fundamental para a adaptação da criança a essa nova realidade. O professor compreensível, que considera as dificuldades, que a acolhe com afetividade e atenção, irá reduzir suas dificuldades e inibições, já o professor incessível, representa para a criança o pai castrador. Nesta ultima situação a criança terá dificuldade para desenvolver a criatividade, espontaneidade e afeto. Nesse sentido Chamat (1997) afirma que um bloqueio na afetividade impede a instalação de vínculos saudáveis, entre o ser que ensina e o que aprende, seja na família ou escola.

Também Freud, no artigo “Algumas Reflexões Sobre a Psicologia do Escolar (1914)”, fala da importância da personalidade do educador, diz ser comum o estudante associá-lo à determinada disciplina, passando a gostar ou rejeitar a matéria independente do conteúdo ensinado, ou seja, o que está em cena é o professor como pessoa e não a matéria em si. Além disso, diz que os professores exercem o papel de pais substitutos, sendo tratados inicialmente com o mesmo respeito que se tinha pelo pai onisciente da primeira infância.

Winnicott (2009) traz a importância do ambiente para o desenvolvimento emocional da criança. Considera-se como ambiente o espaço onde a criança se desenvolve, realiza experiências, vive, cria laços afetivos. Sendo a família e a escola ambientes que podem favorecer ou prejudicar a vida emocional da criança. Pais e professores constituem os principais personagens deste ambiente. O professor se reveste de importância decorrente da influência que exerce sobre o educando, pode representar para esse, o pai, a mãe, é alguém que fornece provisões.

Segundo Winnicott (2009), o impulso do amor primitivo será destrutivo quando a criança passa por inevitáveis frustrações que interferem com a satisfação imediata, gerando conflitos com os quais a criança é incapaz de lidar. Assim, o professor que possibilita à 13

criança o brincar construtivo, fornecendo instrumentos e técnicas, trabalho e avaliação pessoal, tem importância semelhante àquele que cuida de um bebê, ou seja, tanto a pessoa que cuida do bebê quanto o professor estão disponíveis para receber o gesto espontâneo de amor da criança, capaz de neutralizar suas preocupações, remorsos ou culpa, consequentes das ideias das experiências instintivas.

Ainda segundo Winnicott (2009), estágios iniciais do desenvolvimento emocional não são abandonados, as necessidades ambientais de cuidado, amor, segurança, proteção estão sempre presentes, das mais primitivas as mais tardias. Ao cuidar, conviver com uma criança é necessário observa suas necessidades, de modo a proporcionar um ambiente emocional bom, adequado, de forma a transformá-la em um adulto saudável.

As conclusões trazidas pela psicanálise orientam que as crianças sejam protegidas de qualquer repressão exagerada, fonte de doenças e de um possível desenvolvimento prejudicial do caráter. E que essas não devem ser impedidas de se expressarem. E ser honesto com as crianças, responder com franqueza suas perguntas influencia o desenvolvimento mental de forma benéfica (KEIN, 1996). Desse modo, o professor das séries iniciais tem diante de si uma tarefa desafiadora, não só de ensinar as primeiras letras, mas também, se preparar para atender demandas dos educandos, que chegam a escolas trazendo bagagem que foi herdada da família, e que é revivida em forma de novas experiências.

É importante para o professor identificar, na sua relação com os educandos, a instalação da contratransferência. Por exemplo, ocorrendo a contratransferência em relação à criança mimada, superprotegida, o professor reforça nessa a dependência e a falta de iniciativa. Essa criança se apresenta como tendo dificuldade para realizar as atividades, pois espera que alguém as faça para ela. Em relação à criança agressiva, ao contratransferir o professor responde à criança com agressividade, dentre outros problemas, reforça nessa o medo e a falta de confiança. Em ambas as situações, a transmissão do conhecimento fica prejudicada, ou mesmo agrava as dificuldades de aprendizagem. A criança, ao conferir ao professor, autoridade e o saber para ensiná-la, deposita nesse confiança e amor, da mesma forma que direciona-se aos seus pais.

Não se propõe que o professor se torne um analista, mas que saiba ver e ouvir os seus alunos. Se o professor for preparado para reconhecer e compreender a instalação da transferência e da contratransferência na relação com os educandos, poderá agir de forma a minimizar as dificuldade e promover a aprendizagem.

Conforme Kupfer (2013, p. 9): 14

A psicanálise pode transmitir ao educador (e não a pedagogia)

uma ética, um modo de ver e entender sua prática educativa.

É um saber que pode gerar, dependendo, naturalmente, das

possibilidades subjetivas de cada educador, uma posição, uma

filosofia de trabalho .

A autora diz também que o conhecimento da psicanálise, sendo transmitido como qualquer outra disciplina, produz efeitos, mesmo naqueles não analisados.

A psicopedagogia,uma área relativamente nova é importante à formação e capacitação do professor. E o psicopedagogo, por sua formação, poderá contribuir, repassando através de cursos, palestras, escuta, os conceitos da psicanálise para esses.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

De acordo com os autores consultados, pode-se concluir que, tal como no tratamento analítico, na educação, é a transferência que garante o sucesso do processo pedagógico. Também, constatou-se que muitos professores desconhecem o fenômeno transferencial e suas manifestações na prática educativa. Os professores reconhecem a importância do desejo para a aprendizagem, buscam métodos e técnicas que venham facilitar a aprendizagem e despertar o interesse dos educandos. Porém, parecem ignorar as fontes do desejo de saber e o prejuízo do recalque para a curiosidade infantil.

Ficou evidenciado que na educação, existe uma linha conservadora, tradicionalista, que desconhece ou ainda não aderiu ao que a psicanálise pode contribuir para o processo educativo, especialmente no que diz respeito à presença de fenômenos, no ambiente da sala de aula. Os professores desconhecem a transferência e a contratransferência, na sua relação vincular com o educando, desconhecendo consequentemente os prejuízos provenientes desse não saber. O desconhecimento e o não manejo das relações transferênciais, se apresentam como elementos que dificultam ou até impossibilita a aprendizagem, leva a desenvolver dificuldades e problemas de aprendizagem para o educando. E no professor se manifesta como desprazer, desmotivação, incapacidade para lidar com seus alunos.

Constatou-se também que a psicanalítica abre caminho e traz ferramentas para a educação trabalhar com as dificuldades de ensino e aprendizagem. A introdução da 15

psicanálise na educação, no que se refere ao Brasil, dá-se principalmente por intermédio dos psicopedagogos, que em seu percurso profissional vem apontando os benefícios que a teoria psicanalítica empresta à educação, pontuando as causas de dificuldades escolares, não como anormalidades ou doença dos alunos, mas como sendo resultado das relações familiares, sociais e escolares. De forma que os problemas e os impasses de aprendizagem passam a ser tratados também de forma preventiva.

Esta pesquisa possibilitou conhecer os conceitos de transferência e contratansferência do ponto de vista da psicanálise, bem como o da psicopedagogia/educação, identificar situações que caracterizam a reação transferencial e, sobretudo, gerar reflexão a cerca do desenvolvimento da criança, levando em considerando que a criança vai para a escola cada vez mais cedo, e quando, na escola de tempo integral, passa maior parte do tempo na companhia de professores e educadores institucionais. A esses cabe grande responsabilidade na formação/educação das crianças.

No que diz respeito à relação professor-aluno das séries iniciais, o assunto não se esgota, muito ainda precisa ser estudado, pesquisado, principalmente a repercussão da saída precoce da criança do ambiente familiar, bem como sua inserção e longa permanência no ambiente escolar e a repercussão desta situação para o desenvolvimento emocional, considerando o desenvolvimento do ego e a formação do superego.

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